25 de jul de 2010

O que separa os meninos dos homens?

No grande prêmio do Japão, em 1991, Ayrton Senna - o melhor piloto "desportista" de todos os tempos deu ao companheiro de equipe Gerard Berger uma vitória.

Ayrton nunca precisou da ajuda submissa de Berger para ser o campeão que foi. Ele sempre foi melhor na pista. Fora dela, eram amigos. E foi num gesto de amizade, consideração e reverência que o Senna abriu passagem, na última curva. Gesticulou com a cabeça como que dizendo: "obrigada por ter sido tão bom companheiro de equipe".



A atitude de Senna soa incompreensível nos dias de hoje.

O normal, agora, é a sujeira. O "abrir de pernas". A institucionalização desse comportamento como sendo aceitável surgiu com Michael Schumacher. O super campeão era mestre em frustrar as vitórias de seus companheiros. A mais vergonhosa de todas num GP da Austria (relembre a vergonha na narração antológica de Cléber Machado).




A atitude da Ferrari, hoje, em ordenar que Felipe Massa deixasse Fernando Alonso passar decreta o fim da Fórmula 1 de Ayrton Senna. O fim das disputas em que viamos uma piloto dando o sangue para que o adversário não o ultrapassasse. Na Fórmula 1 de Senna, Prost, Piquet, Mansell e tantos outros ser da mesma equipe não significava absolutamente nada. Apenas que ambos os pilotos deveriam trabalhar juntos para desenvolver os carros.

A Fórmula 1, hoje, acabou como esporte.

Seus pilotos não são mais desportistas, apenas placas de publicidade ambulantes.

A atitude de Fernando Alonso, Ferrari, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Michael Schumacher diminui o esporte. Os diminui. Apequena.

Nikki Lauda exclamou ao final da corrida de hoje: "Vergonha!".

Schumacher declarou: "'Eu faria exatamente o mesmo' ".

Alonso e Schumi pedem abertura de pernas.

Senna reverência um companheiro e o presenteia.

É o que separa os meninos dos homens.

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